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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Dúvidas sobre embolização de miomas






Existem situações onde a embolização não possa ser indicada?

Algumas mulheres apresentam patologia associada com os miomas, como pólipos, endometrosis, etc. Nestes casos a embolização deve ser adiada ou evitada até resolver os outros problemas. Pacientes com infecções de repetição, que tenham sido submetidas a irradiação pélvica ou com sérios problemas sistêmicos, como insuficiência renal ou diabetes descompensada devem evitar a embolização. A alergia severa ao iodo pode também ser uma contra-indicação formal para realizar uma embolização.

De forma geral não há uma limitação para indicar a embolização devido ao tamanho, quantidade e/ou localização de nódulos miomatosos. Miomas muito grandes podem ser tratados com embolização da mesma forma que os pequenos. Pacientes com obesidade mórbida podem representar uma limitação estrutural já que a maioria das mesas angiográficas resistem peso de até 150kg. Se o peso do paciente for maior será necessário providenciar uma estrutura apropriada.

De que tamanho ficam os miomas e o útero após a embolização?

A experiência universal mostra que a embolização produz uma redução do tamanho uterino de aproximadamente 50% só nas primeiras 12 semanas e está diminuição continua a acontecer durante o primeiro ano após o procedimento. A redução de tamanho dos nódulos miomatosos é bastante variável. Nódulos maiores tendem a reduzir proporcionalmente mais do que nódulos menores. Em alguns casos os nódulos desaparecem por completo. Todavia o mais comum é observar uma redução no tamanho do mioma dominante (maior) de aproximadamente 65% durante os três primeiros meses após a embolização.

O que acontece se o tamanho de alguns miomas não se altera após a embolização?

É fundamental que se compreenda que o tamanho do útero e dos miomas não é o mais importante. O que realmente importa são os sintomas que estes provocam. Se após a embolização houve melhoria dos sintomas (diminuição do fluxo menstrual ou da sensação dolorosa) o procedimento pode ser considerado um sucesso. Se houver miomas que não regrediram em seu tamanho pode ser devido ao fato de já estarem isquêmicos antes da embolização o que acontece algumas vezes como parte da evolução espontânea da miomatose. Todavia, se a paciente continua apresentando sintomas após a embolização e os nódulos não regridem de tamanho isto pode indicar que não foi feita a embolização de forma apropriada ou que houve aparecimento de circulação colateral ou ainda que existe uma patologia associada como a adenomiose.

Existe algum tipo de treinamento específico requerido pelos médicos que fazem embolização uterina?

Sim. A embolização é uma técnica de radiologia intervencionista que não é exclusiva para tratar miomas e há mais de 30 anos que se aplica para tratar numerosos problemas como aneurismas, hemorragias, malformações vasculares, tumores, traumas, etc. Existem vários programas de treinamento e cursos de pós-residência para formar profissionais capacitados para realizar procedimentos minimamente invasivos de radiologia intervencionista. Os profissionais capacitados e habilitados para fazer este e outros tipos de procedimentos intervencionistas devem possuir o Título de Especialista em Angiorradiologia e Radiologia Intervencionista outorgado pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Associação Médica Brasileira.

A embolização apresenta risco e complicações como a cirurgia convencional?

A medicina não é uma ciência exata e nenhum procedimento médico está livre de riscos. Já foram relatados na literatura médica mais de 25.000 procedimentos de embolização uterina e somente 1(um) óbito foi reportado o que demonstra que é um procedimento muito seguro. A incidência geral de complicações que requeiram duma terapia mais agressiva ou que prolonguem o tempo de internação esta entre 1 e 2%, o que é significativamente menor aquela apresentada pelos procedimentos cirúrgicos convencionais que pode variar de 4 a 8%.

Quantas pacientes que realizam embolização requerem de histerectomia ou miomectomia posteriormente?
Deve-se diferenciar a necessidade de um procedimento adicional por causa de insucesso terapêutico (continuidade ou recorrência dos sintomas) daquele realizado para tratar uma complicação.
Aproximadamente 4 a 7% das pacientes continuam a apresentar sintomas desconfortáveis após a embolização e são então submetidas a miomectomia ou histerectomia. Isto pode acontecer por erros no diagnóstico, por falhas técnicas do procedimento, pela presença de variações anatômicas, etc. Tivemos alguns casos que após a embolização continuaram a apresentar sangramento e então decidiram fazer histerectomia.

No estudo anatomapatológico do útero retirado verificou-se que as pacientes tinham adenomiose e não miomatose. Tivemos também dois casos nos quais fizemos miomectomia após a embolização devido à presença de miomas subserosos isquêmicos. A associação entre embolização e miomectomia é cada vez mais empregada para tratamento de pacientes com útero muito volumoso e com múltiplos nódulos.

É importante salientar que a embolização uterina jamais inviabilizará uma cirurgia caso esta seja eventualmente necessária no futuro. Por isto a embolização deve ser sempre considerada antes da cirurgia.
Estima-se que uma histerectomia devido a infecção uterina possa acontecer a cada 500 vezes.

Há alguma restrição de idade para realizar embolização uterina?
Não existe restrição de idade. Embora não é o mais comum, temos visto mulheres jovens que tiveram a sua primeira menstruação bem cedo e que antes dos trinta anos começaram a sentir sintomas desconfortáveis por causa de miomas. Geralmente tem um familiar direto também com historia de miomas. Temos visto tambem mulheres de 50 e até 60 anos que, embora já na menopausa, apresentam sangramentos porque utilizam a terapia de reposição hormonal (TRH). Em todos os casos a embolização pode ser indicada e na maioria das vezes com extraordinário sucesso.

Com que tamanho de útero começam aparecer os sintomas?

Não existe uma regra para isto. Mulheres com um útero pequeno e poucos nódulos podem ser extremamente sintomáticas. Outras mulheres somente reparam o crescimento da barriga sem sentir dor ou alteração menstrual. Às vezes, simplesmente acham que estão “gordas” ou ate “grávidas”.

O que os médicos acham da paciente que apesar dos miomas estarem crescendo decidem não fazer qualquer tratamento?

A decisão de mudar uma situação desconfortável não compete aos médicos. O papel do médico é orientar e transmitir informação da forma mais honesta e didática para facilitar a tomada desta decisão que invariavelmente compete à própria paciente. Os miomas devem ser tratados quando a paciente sente que seus sintomas requerem de tratamento. Lembre-se que os sintomas provocados pelos miomas são muitas vezes bastante subjetivos e dependem de conceitos sociais e culturais. Existem mulheres que quando menstruam usam fraldas mas acham que isto é uma situação normal. Algumas mulheres toleram sintomas desconfortáveis durante muito tempo antes de considerar a possibilidade de recorrer a algum tipo de tratamento.

Uma mulher que já fez miomectomia e os miomas voltaram a crescer pode fazer embolização?

Sim. A miomectomia tem por objetivo extrair os miomas preservando o útero. Todavia como na maioria das vezes os miomas são múltiplos, a miomectomia não consegue extrair todos eles. Como o estimulo hormonal e a tendência a formar miomas permanecem inalterados na paciente, é muito provável que voltem a aparecer miomas mesmo após a miomectomia. Aproximadamente 20% de mulheres que fizeram miomectomia voltam a ter sintomas pelo crescimento de novos nódulos. Nestes casos a embolização é o melhor recurso para tratar os sintomas e evitar uma histerectomia.

Se a paciente estiver anêmica deve tratar a anemia antes de fazer embolização?

Em geral não é obrigatório tratar previamente a anemia para poder fazer embolização. No caso de uma cirurgia isto é mandatário porque podem ocorrer sangramentos importantes durante a cirurgia, mas isto não existe durante a embolização. Em quase 200 casos já realizados jamais tivemos que transfundir uma paciente.

A embolização pode provocar alterações hormonais?

A maioria das pacientes que realizam embolização uterina volta a ter a sua menstruação normal imediatamente após a cirurgia. Aproximadamente 10% das pacientes apresentam ciclos irregulares durante 3 a 6 meses após a embolização. Menos freqüentemente uma mulher pode entrar na menopausa após a embolização. Estima-se que entre 1 e 15% da população geral submetida a embolização possa entrar na menopausa após o procedimento, todavia esta possibilidade esta relacionada principalmente com a idade da paciente, sendo menor que 1% nas mulheres com menos de 40 anos e maior que 20% naquelas com mais de 45 anos. Alterações hormonais parecem ser um pouco mais freqüentes após histerectomia do que após embolização.

O que acontece com o material plástico que é utilizado para embolizar?Pode ocorrer algum tipo de reação alérgica a este material?

O PVA (poli-vinil-alcool) é um material sintético utilizado ha pelo menos 20 anos para fazer embolizações e não existe na literatura médica nem na experiência profissional qualquer relato de reação alérgica a este material. Embora provocam uma embolização permanente as partículas de PVA são degradadas pelo corpo muito lentamente.

Qual é a probabilidade de engravidar após a embolização e quanto tempo após a cirurgia posso começar a tentar?

Este é um assunto controvertido e não ha ainda uma resposta definitiva. Alguns trabalhos já publicados na literatura médica indicam que a possibilidade de engravidar gira em torno de 30%, isto é uma de cada três pacientes que desejam, conseguem engravidar. Esta possibilidade parece ser bastante similar com a obtida após a miomectomia. Para as pacientes que desejam engravidar pedimos para aguardar pelo menos 12 semanas até fazermos o controle com os estudos de imagem, ultra-som ou ressonância magnética, antes de tentarem engravidar.

Devo usar métodos anticoncepcionais após a embolização?

A embolização uterina não elimina o potencial de fertilidade. Numerosas pacientes já engravidaram após fazerem embolização uterina. Por tanto, se não desejar engravidar após a embolização o correto será manter os métodos anticoncepcionais.

Com que frequência ocorre a eliminação de miomas pela vagina após a embolização? É muito doloroso?

Muitas, se não a maioria das pacientes apresentam um corrimento de cor castanho depois da embolização. As vezes simula uma menstruação discreta e é acompanhada de pequenos fragmentos de miomas que migram desde a camada interna do útero. Isto dura geralmente de uma a três semanas embora possa se extender por um período de tempo maior. Geralmente não provoca odor desagradável ou causa qualquer incomodo para as pacientes.

Aproximadamente 5% das mulheres poderão eliminar uma porção maior de um mioma. Nestes casos pode haver dor de tipo cólica e sintomas similares ao de um aborto. Quando ha um mioma retido na cavidade uterina geralmente provoca um odor intenso e uma secreção diferente. Às vezes é necessário prescrever antibiótico e esvaziar a cavidade uterina com uma curetagem. Embora não seja o objetivo da embolização, a eliminação de miomas através da vagina provoca um alivio enorme na sintomatologia das pacientes.


Fonte: terra.com

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Infecção por HPV no colo do útero

 


Quais são os sintomas do câncer do colo do útero?

Não apresenta sintomas até atingir nível mais avançado, a partir daí existe corrimento avermelhado com consistência aquosa e sangramento durante relação sexual.
 

Qual é a relação entre HPV e câncer do colo do útero?

O HPV é o responsável pelo câncer do colo do útero, podemos dizer que praticamente 100% dos cânceres do colo do útero contêm HPV .
 


Então se tenho HPV necessariamente irei desenvolver câncer do colo do útero?Isto não é verdade, a maioria da população sexualmente ativa (cerca de 75%) entra em contato com o
HPV e elimina espontaneamente o vírus do organismo sem mesmo desenvolver qualquer doença. Outros terão uma infecção transitória com duração média de 12 a 18 meses e menos de 1% corre o risco de ter câncer do colo do útero.


Além do HPV , são necessários outros co-fatores para, por exemplo, predisposição genética, fumo, alimentação inadequada e estresse. A infecção pelo HPV não se transforma em câncer do colo do útero de um dia para outro, por isso não existe motivo para desespero e angústia. 

Quando o HPV causa lesão no colo do útero, esta lesão passa por três etapas antes de se transformar em câncer. Os médicos costumam chamar estas etapas de neoplasia intra-epitelial cervical (NIC) grau 1, 2 e 3. O tratamento nestas etapas cura completamente a doença e impede a progressão para câncer, além de não interferir na capacidade de ter filhos da mulher.


Quais são os sintomas da infecção pelo HPV ou da NIC (neoplasia intra-epitelial cervical)?A infecção pelo HPV ou NIC geralmente não apresenta sintomas, algumas pessoas desenvolvem verrugas genitais e outras lesões na vulva, vagina, colo do útero e ânus que se não tratadas podem evoluir para câncer do colo do útero. Estas lesões são diagnosticadas pelo Papanicolaou e através de exames chamados colposcopia, vulvoscopia e anuscopia. 

Se as verrugas genitais não forem tratadas, podem evoluir para câncer do colo do útero?

O papilomavírus humano (
HPV) pertence a uma ampla família de vírus e mais de 45 tipos diferentes podem infectar a pele dos órgãos genitais. Quase todos os tipos foram muito bem estudados e hoje se sabe que o grupo de HPV que causa lesão pré-cancerígena ou cancerígena (chamado grupo de alto risco oncogênico) não é o mesmo que geralmente causa as verrugas genitais (chamado de grupo de baixo risco oncogênico). Em 90-95% dos casos, as verrugas genitais são causadas por HPV do grupo de baixo risco. Entretanto, não se deve postergar o tratamento das verrugas genitais, não apenas pelo aspecto estético desagradável , mas também pelo risco de crescimento em extensão e tamanho das lesões e alta contagiosidade (transmissão para parceiros).


Como posso prevenir o câncer do colo do útero?

Realizando Papanicolau e colposcopia regularmente. O Papanicolaou detecta a presença de lesões em até 80% das vezes que ela está presente. Se houver associação do Papanicolaou com a colposcopia a detecção da lesão ocorrerá em praticamente 100% das vezes.


O que é Papanicolaou?

Também chamado pelos médicos de esfregaço cérvico-vaginal. O colo do útero é raspado com uma espátula e o material coletado (células) é colocado em uma lâmina de vidro. Este material recebe uma preparação especial e é lido por um médico citologista.

O laudo citológico pode ser fornecido utilizando várias nomenclaturas, veja o significado:
ClassificaçãoInterpretaçãoOrientação
PapanicolaouSistema de Bethesda
Classe INegativo para células neoplásicas ou negativas para malignidadeNORMALRepetir exame em 1 ano ou conforme orientação de seu médico
Classe IIInflamatórioNORMAL, pode ter sido colhido na 2a fase do ciclo ou pode existir alguma inflamação tipo corrimentoRepetir exame em 1 ano ou conforme orientação de seu médico e tratar inflamação se necessário.
Atipia celular escamosaASCUSLeve suspeita de alteraçãoNecessário realizar colposcopia e se necessário biópsia dirigida. O tratamento será definido conforme o resultado da biópsia.
Atipia celular glandularAGUS - células glandulares atípicasSuspeita de alteraçãoNecessário realizar colposcopia e se necessário biópsia dirigida. O tratamento será definido conforme o resultado da biópsia. Se a mulher não menstruar mais, é necessário investigação do revestimento de dentro do útero (endométrio).
Classe IIILSIL - lesão intra-epitelial de baixo grauALTERADONecessário realizar colposcopia e se necessário biópsia dirigida. O tratamento será definido conforme o resultado da biópsia.
Classe IIIHSIL - lesão intra-epitelial de alto grauALTERADONecessário realizar colposcopia e se necessário biópsia dirigida. O tratamento será definido conforme o resultado da biópsia.
Classe IVHSIL - lesão de alto grauALTERADONecessário realizar colposcopia e se necessário biópsia dirigida. O tratamento será definido conforme o resultado da biópsia.
Classe VSuspeita de câncerALTERADONecessário realizar colposcopia e se necessário biópsia dirigida. O tratamento será definido conforme o resultado da biópsia.

O que é Colposcopia?
É um aparelho de aumento que permite identificar com precisão o local e a extensão da doença. Além de mostrar o local mais adequado para realizar a biópsia, permite guiar o tratamento através de cirurgia.


Qual é o melhor exame o Papanicolaou ou a Colposcopia?

Os dois exames são complementares, eles não competem entre si. O Papanicolau é um método de rastreamento, identifica a alteração, porém não diz onde ela está (em outras palavras, é como o telefone fixo que toca, mas não consegue identificar a chamada). A colposcopia é mais precisa, ela localiza a lesão (é como se fosse um bina de telefone, identificando o local da chamada).


O que são métodos de biologia molecular (captura híbrida, hibridização molecular)?

São métodos que pesquisam se existe material genético do HPV dentro das células do 
organismo humano. A positividade destes testes quer dizer que o organismo entrou em contato com o HPV , mas não consegue predizer quem irá desenvolver lesões. A captura híbrida é o teste mais utilizado na prática clínica e permite identificar dois grupos de vírus (de baixo e alto risco oncogênico) e a carga viral.


Existe tratamento para quem tem infecção pelo HPV, mas não tem lesões identificadas no Papanicolaou e na Colposcopia?

O médico apenas trata a doença causada pelo HPV como verrugas genitais e lesões na
vagina e colo do útero. A infecção pelo HPV diagnosticada por métodos de biologia molecular e sem lesões no Papanicolaou e Colposcopia, não precisa ser tratada e se chama infecção latente pelo HPV (em outras palavras poderíamos chamar que o vírus "adormece" dentro da célula não existindo replicação viral). Quem combate verdadeiramente o vírus é o sistema imune do indivíduo infectado. Em condições habituais, o HPV demora em média cerca de 10 meses (de 8 meses a 24 meses) para ser eliminado do organismo. Na infecção latente, não existe risco de passar o vírus para outras pessoas.


Mesmo após realizar tratamento das lesões induzidas pelo HPV (verrugas genitais e lesões do colo, vagina e vulva), os testes de biologia molecular continuam positivos?
Mesmo após a "cura" das lesões que o médico tratou, os testes de biologia molecular (hibridização molecular e captura híbrida) ainda ficarão positivos até o organismo eliminar totalmente o vírus, o que demora de 8 a 24 meses. Por isso não adianta ficar ansiosa e realizar exames muito frequentes, recomendam-se exames semestrais/anuais para controle após cura da doença clínica (verrugas genitais e lesões na vagina e colo do útero).

Quem tem infecção pelo HPV pode engravidar?
A infecção genital por HPV por si só não contra-indica uma gravidez, se existirem lesões induzidas pelo HPV (tanto verrugas genitais como lesões em vagina e colo) o ideal é tratar primeiro e depois engravidar. Se ocorrer a gravidez na presença destas lesões não existe maiores problemas, porém as verrugas podem se tornar maiores em tamanho e quantidade devido ao estímulo hormonal característico da gestação e existir maiores dificuldades no tratamento.




Existe a possibilidade do HPV ser transmitido para o feto ou recém-nascido e causar verrugas na laringe do recém-nascido e/ou verrugas na genitália. O risco parece ser maior nos casos de lesões como as verrugas genitais, mesmo nestes casos o risco de ocorrer este tipo de transmissão é baixo.


Quem tem infecção pelo HPV, verrugas genitais ou NIC, pode amamentar?
Para que ocorra a transmissão do
HPV são necessários o contato pele-a-pele e algum tipo de ferida para que o vírus penetre na pele (a situação ideal é a relação sexual, além do contato pele-a-pele, existe a fricção do pênis na vagina que acaba fazendo microtraumatismos - imperceptíveis a olho nu - que permitem a entrada do vírus na pele). Assim, se os seios da mãe não tem nenhuma lesão por HPV não existe nenhum risco de transmissão do HPV durante o aleitamento materno.


Quem tem neoplasia intra-epitelial cervical (NIC) poderá preservar o útero e ter filhos no futuro? 
Hoje, existe uma técnica cirúrgica, chamada de cirurgia de alta frequência, que é realizada com ajuda do colposcópio e retira apenas a lesão, preservando o tecido do útero sadio. Assim, a capacidade de engravidar não fica comprometida.


Qual é o melhor tratamento pra neoplasia intra-epitelial cervical (NIC) grau 1?
Tudo dependerá do tamanho da lesão identificada através da colposcopia. Alguns casos necessitarão cauterização, outros apenas controle semestral com citologia e colposcopia, e outra pequena cirurgia local.

Qual é o melhor tratamento pra neoplasia intra-epitelial cervical (NIC) grau 2 e 3?
Também depende do tamanho da lesão. A grande maioria das mulheres se beneficiará da técnica de cirurgia de alta frequência, onde se preserva o tecido sadio do útero, permitindo futuras gestações.


Existe alguma novidade no tratamento da NIC grau 2 e 3?
Os estudos continuam avançando, existem vacinas sendo testadas em cobaias animais. O tratamento mais moderno é cirurgia de alta frequência guiada pela colposcopia.


O que é ferida do colo do útero?
É um termo leigo, e não quer dizer realmente que existe uma ferida. É uma situação muito comum em mulheres jovens e após o parto, e está associada a picos hormonais. Os médicos chamam esta situação de ectopia. Alguns médicos recomendam cauterizar, outros apenas fazem controles. Se existir corrimento tipo clara de ovo ou corrimento de repetição é aconselhável realizar a cauterização.


O HPV pode causar câncer de boca?
A maioria dos casos de câncer de boca é causada pelo fumo e consumo de bebidas em grandes quantidades. Recentemente, pesquisadores americanos revelaram que alguns casos de câncer de boca podem estar relacionados ao HPV 16, o mesmo tipo que causa
 o câncer do colo do útero, sendo o vírus transmitido através do sexo oral.


Mas, as pessoas não devem entrar em pânico com esta descoberta, pois o câncer na boca é raro e ter realizado sexo oral com parceiro infectado pelo HPV não quer dizer que irá se desenvolver câncer. Para que isto ocorra devem existir vários fatores associados além da infecção pelo HPV , como fumo, consumo de bebidas alcoólicas e predisposição genética.
Fonte: Prevenção do Câncer

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Tudo que você precisa saber sobre os miomas



Esses tumores benignos, também conhecidos como fibromas ou leiomiomas, surgem no útero. Os problemas causados por eles – dores, cólicas, sangramento excessivo, prisão de ventre, perda espontânea de urina, aumento do volume abdominal e ainda dificuldade de engravidar ou de manter uma gestação –alteram a qualidade de vida das mulheres.
A embolização de mioma uterino é o tratamento mais inovador. É um procedimento seguro, que oferece uma recuperação bem mais rápida para as pacientes. Foi descrito pela primeira vez em 1995 por um ginecologista francês e é realizado por especialistas em radiologia intervencionista.


Mioma e a gravidez
A associação entre mioma e a gravidez ocorre em aproxima-damente 0,13% a 7%.

Nessa situação, o mioma pode determinar gravidez ectópica (quando o ovo implanta em outro local que não a cavidade uterina), abortamento, parto prematuro, sangramento e dificuldades durante o parto.

Além disso, eles podem aumentar significativamente de tamanho durante a gestação, devido aos altos níveis hormonais.

Cada caso deve ser analisado individualmente, para determinação da necessidade de tratamento.


Como é feita a embolização do mioma uterino?
  Como o mioma é "alimentado" por sangue, o corte desse suprimento leva à morte dos tumores. A técnica da embolização uterina é minimamente invasiva, realizada sob anestesia local e não precisa de pontos, pois não são feitos cortes.

  Na região da virilha, onde passa a artéria femoral, o radiologista intervencionista faz um pequeno furo, de no máximo 2 milímetros, por onde é introduzido um cateter. Guiado por um equipamento de radiologia digital com alta definição de imagem, o especialista conduz o cateter até a artéria que leva sangue ao útero.


Pelo cateter são injetadas micro partículas esféricas de uso biológico, que vão obstruir essas artérias e interromper o fluxo sanguíneo que alimenta o mioma. 

Desta forma, o mioma tende a diminuir e os sintomas são eliminados. Após dois ou três ciclos menstruais, a paciente volta a menstruar normalmente. 

Através da embolização o médico elimina facilmente o tumor, sem agredir o paciente e sem deixar grandes cicatrizes que possam comprometer a estética feminina.

A embolização do mioma uterino interfere nas funções normais do útero?
Não. A embolização do mioma facilita a integridade estrutural do útero e sustenta a bexiga, órgãos pélvicos, intestino e ossos. O útero ajuda a separar e a conservar a bexiga na sua posição natural. Já o intestino mantém sua composição própria atrás do útero e passa a ser nutrido por circulações colaterais que conservam sua vitalidade.


A embolização do mioma uterino causa dor?
  Não. A embolização do mioma uterino é um procedimento indolor, pois não há terminais de dor no interior das artérias.


Qual o grau de sucesso da embolização de mioma?

A embolização uterina pode ser realizada com sucesso em quase 100% dos casos. Algumas vezes surgem situações mais desafiadoras, como acontece em mulheres que têm uma cirurgia pélvica prévia ou têm variações anatômicas vasculares ou uma patologia vascular associada. Mas a experiência e o treinamento do especialista em radiologia intervencionista, aliado aos recursos tecnológicos que a medicina moderna oferece, permitem resolver a maioria dos casos.

Pesquisas feitas sobre a embolização de mioma podem ser resumidas da seguinte maneira:
  • 9 em cada 10 mulheres que tinham sangramento intenso voltam a ter menstruações normais;
  • 9 em cada 10 mulheres que tinham dor provocada por miomas relatam desaparecimento dos sintomas;
  • O tamanho do útero e dos miomas regride em até 50% três meses após a embolização uterina e em até 90% um ano após;
  • Os efeitos provocados pela embolização são permanentes, o que raramente torna necessário algum procedimento terapêutico adicional.
  •  
Como é a recuperação das pacientes que fazem a embolização de mioma uterino? É muito rápida. O período de internação é de apenas 24 horas, não há cortes ou cicatrizes, e a paciente pode voltar rapidamente às suas atividades. Após dois ou três ciclos menstruais, a paciente volta a menstruar normalmente.


Qualquer paciente que tenha mioma pode fazer embolização uterina?
Toda mulher que tem mioma uterino e apresenta sintomas desconfortáveis é potencial candidata a fazer a embolização uterina, independente da quantidade, tamanho ou localização do mioma. Como algumas mulheres requerem uma abordagem apropriada, pode-se dividir as pacientes em quatro grupos:


1) pacientes que se encontram próximas da menopausa,
2) pacientes que já foram submetidas à miomectomia e voltaram a apresentar sintomas,
3) pacientes com desejo de manter a fertilidade,
4) pacientes que já entraram na menopausa e usam tratamento de reposição hormonal.


Caso a embolização uterina não produza os resultados desejados, a paciente não poderá realizar outros procedimentos para eliminar o mioma?
  A embolização uterina raramente inviabilizará ou provocará qualquer complicação que possa comprometer a realização do tratamento cirúrgico convencional, caso este seja necessário. É por isso que a embolização uterina deve ser sempre considerada como a ferramenta inicial para tratar o mioma uterino.


A embolização do mioma afeta a fertilidade da mulher?
  Não. Pesquisas científicas mostraram que mulheres que fizeram embolização do mioma uterino para tratamento deste tumor ou outras patologias ginecológicas não somente
engravidaram após o procedimento, mas também tiveram partos normais. 

 A embolização do mioma não provoca um impacto negativo na fertilidade feminina e, portanto, pode-se indicar este tratamento em mulheres que desejam preservar a sua fertilidade.


Quais são os riscos associados à embolização do mioma uterino?
  A embolização uterina é um dos procedimentos mais seguros para o tratamento de mioma, porém, como qualquer procedimento médico oferece alguns riscos à paciente. Algumas mulheres podem sentir dor abdominal, como uma cólica, náuseas e febre.


Todos estes sintomas são controlados com medicação apropriada. Já um pequeno número de mulheres pode desenvolver infecções que, em geral, são de fácil controle com antibióticos. Mas são raros os casos de mulheres que tiveram lesão uterina e precisaram passar por uma histerectomia, e de mulheres que perderam os seus ciclos menstruais, isto é, entraram na menopausa após a embolização uterina.


Quais as vantagens da embolização do mioma uterino com relação à cirurgia?
  • É um procedimento realizado com anestesia local
  • Não deixa cicatriz ou sequela externa
  • Pode ser feito em regime ambulatorial ou, no máximo, necessita de um único dia de internação
  • A recuperação é muito rápida, permitindo que as pacientes retornem às suas atividades habituais apenas três a quatro dias após o procedimento
  • É altamente eficaz para controlar os sintomas provocados pelo mioma
  • Trata todos os sintomas do mioma ao mesmo tempo
  • Os efeitos terapêuticos são permanentes, o que raramente torna necessário um procedimento adicional
  • Preserva o útero e a possibilidade de fertilidade
  • Permite a terapia de reposição hormonal, se necessária
Recomendação: Quando a paciente aceita realizar a embolização uterina, será necessário revisar os estudos laboratoriais e de imagem - que têm uma validade média de 30 dias - e então agendar a embolização

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Tumores Benignos do Útero


Generalidades
O útero pode ser afectado por vários tipos de tumores benignos, todos eles constituídos por células provenientes de tecidos do próprio órgão, que se reproduzem de maneira exagerada e formam um tumor. Consoante o tipo de tumor, este tanto pode crescer até à cavidade do órgão e constituir um pólipo unido à parede uterina através de um pedículo, como crescer na própria espessura da parede uterina ou até formar uma proeminência para o exterior do órgão.

Independentemente do tipo de crescimento, todos os tumores benignos são constituídos por células que se assemelham às originais, não se infiltram nos tecidos adjacentes nem se disseminam à distância do órgão. Todavia, deve-se referir que existem tumores benignos que sofrem, a longo prazo e por razões desconhecidas, uma evolução maligna, transformando-se em tumores cancerosos. Embora a maioria dos tumores benignos do útero costume evoluir sem provocar sinais ou sintomas, quando se detecta a sua presença, normalmente deve-se realizar um acompanhamento médico regular ou proceder-se à sua eliminação, regra geral através de procedimentos cirúrgicos. Em seguida, são descritos os vários tipos de tumores benignos do útero mais frequentes.

Pólipos cervicais
Estes pólipos correspondem a proliferações da mucosa que reveste o colo uterino. O seu crescimento provoca a formação de uma proeminência na entrada do colo uterino que se mantém unida à parede uterina por um pedículo mais ou menos fino. Apesar de serem, na maioria dos casos, pólipos únicos, em cerca de 20% são múltiplos. Costumam ser pequenos, já que raramente ultrapassam os 2 cm de diâmetro, mas podem alcançar, por vezes, dimensões mais significativas, chegando a ultrapassar o orifício cervical externo e sobressaindo até à vagina.

Os pólipos cervicais são muito frequentes, afectando essencialmente as mulheres entre os 40 e os 50 anos de idade, nomeadamente as que tenham tido vários filhos, sendo pouco habituais nas que não tenham tido filhos. Embora não provoquem, na maioria dos casos, manifestações e apenas sejam detectados através de algum exame uterino realizado por outro motivo, por vezes sofrem rupturas. Estas podem ocorrer de forma espontânea ou como consequência de um traumatismo, por exemplo durante o coito, originando hemorragias, normalmente reduzidas e sem relação com a menstruação, que são exteriorizadas pela vagina - em alguns casos, repetem-se com bastante frequência. Para além disso, como se calcula que cerca de 1% dos casos sofre uma evolução maligna, quando são diagnosticados, é aconselhável a sua extracção cirúrgica.

Pólipos endométricos
Embora estes pólipos se assemelhem aos cervicais, desenvolvem-se no endométrio, a mucosa que reveste o corpo do útero, nomeadamente o fundo do órgão. Costumam ter uma forma arredondada ou comprida e não ultrapassam os 3 cm de largura ou comprimento, ainda que possam ser mais volumosos. Normalmente, são únicos; contudo, por vezes, são múltiplos e podem sofrer ou não as alterações próprias do endométrio no ciclo menstrual.

Os pólipos endométricos são compostos por uma abundante rede de pequenos vasos sanguíneos e, embora possam evoluir de forma assintomática, sangram com uma certa facilidade e provocam hemorragias que se exteriorizam pela vagina a qualquer momento do ciclo menstrual, independentemente de ser de forma espontânea ou provocadas pelo coito. Para além disso, quando adquirem um determinado volume, podem desencadear contracções uterinas que, em alguns casos, geram dor.

Por outro lado, dado que estes tumores sofrem transformações malignas em cerca de 5% dos casos, os médicos costumam, mais tarde ou mais cedo, recomendar a sua extracção cirúrgica.

Fonte: Medipédia